Um blog com notícias e comentários ao que de estranho vai acontecendo.

Sexta-feira, Junho 03, 2005

Os pobres que paguem a crise!!!

Mega reforma

SEIS ANOS

O ministro de Estado e das Finanças, Luís Campos e Cunha, acumula com o seu vencimento no Governo uma reforma milionária pelos seis anos que trabalhou no Banco de Portugal, noticiou ontem o ‘Jornal Nacional’ da TVI.

14908 EUROS

No total, o responsável pela pasta das Finanças do Executivo liderado por José Sócrates recebe nada menos de 14908 euros por mês, o que perfaz o montante de 2982 contos. Tudo isto sem contar com as ajudas de custo.

NÃO ABDICOU

Quando em Março último entrou para o Governo de José Sócrates, Luís Campos e Cunha não abdicou da sua reforma. Agora, alega que esta não lhe é paga pela Caixa Geral de Aposentações e acrescenta ser um direito adquirido e legítimo.
Mário Fernandes/José Rodrigues in Correio da Manhã

Quinta-feira, Junho 02, 2005

Educação

Violência escolar




Nos últimos anos, o tema da violência tem sido abordado inúmeras vezes pela comunicação social. E todos decerto já falámos contra isso. Acontece que não chega denunciar. É preciso arrepiar caminho na educação dos mais novos.
Foi já há perto de 20 anos mas o episódio não me saiu mais da memória. Uma rádio entrevistava crianças vítimas de violência na família. E uma delas responde à pergunta da entrevistadora que, quando fosse grande, queria ter uma mulher e filhos como o pai.
– Para quê? – indaga a jornalista.
– Para lhes bater à vontade.
As palavras da criança chocaram-me imenso. E lembro-me delas quando leio alguma coisa a respeito de violência de ou com crianças.
O título dum jornal diário de há dias era o seguinte:
«Violência à solta nas aulas. Vítimas aos 11 anos, agressores aos 13 e armados aos 15»
Segundo dados da PSP, através do programa Escola Segura, nos últimos dois anos as agressões aumentaram 5,2%. É o segundo crime mais importante, a seguir aos furtos. As agressões registam-se geralmente entre os próprios alunos e raramente entre aluno e professor.
As escolas mais problemáticas são as da periferia das cidades, onde os alunos são oriundos de ambientes sócio-económicos mais desfavorecidos. As vítimas e agressores são predominantemente crianças de extractos sociais pobres e de famílias desestruturadas ou onde não há ambiente de amor. A exemplo da criança que referi.
Também aqui se vê que onde não há famílias com bom ambiente isso se reflecte na própria escola. Não entendo, pois, que se possa considerar a família como algo reaccionário e ultrapassado, como fazem alguns intelectuais e «progressistas». «Deus, pátria e família» para estes nunca deveriam existir. Mas quem os poderia substituir?
M. V. P.

O défice

O patriotismo, de novo

Habituámo-nos a esta simpática característica do doutor Jorge Sampaio mal se aproxima o 10 de Junho, o presidente fala de patriotismo. Há anos, como se recordam, mencionou, nos Açores, o "patriotismo moderno e democrático". Recentemente, apelou ao patriotismo dos "parceiros sociais", para abordar a questão do défice. De uma frase a outra, de uma época a outra, não vai muita distância. A primeira das declarações sobre o "patriotismo moderno e democrático" surgiu na sequência daquilo que o presidente viu bem que era uma crise de confiança dos cidadãos nos seus políticos ou naqueles que os representariam. A essa crise de confiança (junto com uma "crise de representação", que merecia mais estudo) deveria responder-se com uma atitude afirmativa e positiva. Comprometida e empenhada, audaciosa.Passados estes anos, o presidente acha que os cidadãos (e as corporações que de alguma maneira falam em seu nome, os "parceiros sociais") devem voluntariamente manifestar o seu patriotismo (e a sua boa-vontade), facilitando o caminho ao Governo para tratar do descaminho do "défice". Ora, convém dizer-se, os cidadãos não se importam muito com o défice. Vivem com ele, sim, mas sabem, intimamente, que não se trata de coisa sua. O défice é "alta política". Durante anos, os portugueses viveram com este e com outros défices défice de vida, défice de esperança, miséria a prazo, dificuldades em perspectiva, dívidas contraídas com irresponsabilidade ou, pelo menos, sem consciência. Assunto do Estado é assunto do Estado; os cidadãos tinham de tratar da sua vidinha, da compra de casa própria, das prestações do carro, das férias, dos teres e haveres. Eles tinham razão; foram anos e anos de dificuldades, maus exemplos (dos políticos), desperdício, fé cega ou desconfiança defensiva. Os portugueses vingavam-se de anos e anos de penúria.O panorama não é brilhante, neste aspecto. Os cidadãos são cínicos. Eles têm razões para isso. Antes do 25 de Abril e no período imediatamente anterior, o povinho rejubilava com os quadros da "revista à portuguesa" (manhosa, céptica, desconfiada, com aquela irreverência provinciana e cheia de tiques). Com o fim daquele mundo, e de tudo o que lhe dava origem (inclusive, a mudança geracional), os cidadãos encontravam outras formas de se distanciar do Estado. Ao "emprego no Estado" como garantia de vida e de longevidade sucedeu-se a imagem do Estado como inimigo a abater. Meia dúzia de políticos optimistas (entre os quais incluo o senhor presidente da República) e desligados da realidade (onde, às vezes, também o incluo, mas por defeito meu) insistem, periodicamente, no facto de o Estado sermos todos nós. Não é essa a ideia que os portugueses têm da vida. Mesmo os 56% que, de uma maneira ou de outra, dependem do Estado, têm dúvidas sobre essa alegada evidência.Naturalmente que estamos em dificuldades. Claro que existe o défice. Claro que não há dinheiro. Claro que é necessário fazer economias (será?, ou a ideia de "fazer economias" entra em contradição com a necessidade de " fazer investimento"?). Os cidadãos, essa massa anónima, acham que sim. Mas isso não lhes apaga a desconfiança. Eles pensam que a vida dos políticos não é exemplar, que não têm grandes razões para pensar que a sua qualidade mudou, nos últimos meses, ou que o Estado há-de entrar em falência.O dr. Jorge Sampaio ficou decepcionado com o "não" francês e sente-se apreensivo com a falta de patriotismo dos "parceiros sociais" portugueses. É um homem angustiado, e compreende-se. Os políticos europeus também ficaram angustiados. As pessoas ("os cidadãos") já não assinam de cruz. Querem garantias. E não estão dispostas a dar o primeiro passo. Têm razões para isso.Francisco José Viegas escreve no JN, semanalmente, às quintas-feirasO passado do passadoAí está a realidade que nos caiu em cima, como um meteoro. O défice, o macabro défice, essa fatalidade, como já alguém lhe chamou. A fatalidade que arrastou o socrático Governo socialista para a impopularidade de medidas verdadeiramente draconianas, arrasadoras da "classe média dependente", na expressão de Vasco Pulido Valente. Como foi isto possível? A resposta a esta pergunta é um pouco abracadabrante. Encontrar um culpado, eis a questão. Dão-se alvíssaras a quem topar com ele. Houve um culpado imediato obviamente, o Governo anterior, a começar no tempo de Durão Barroso. Representantes desse Governo, porém, logo enjeitaram a responsabilidade e endossaram-na ao Governo anterior a esse Governo, ou seja o do partido que agora está no Poder, então encabeçado por António Guterres. Foi ele o despesista-mor. Alguns, porém, desejosos de ir mais para trás na busca do culpado original, o chamado "pai do monstro", começaram a vislumbrar na silhueta austera do professor Cavaco os traços ideais para arcar com a responsabilidade do grande buraco em que agora estamos metidos. Foi ele, o professor de Finanças, apontado a dedo e de viva voz por um dos seus antigos ministros (e sabe-se lá com que dolorosa sinceridade o não terá feito!) como o tal "pai do monstro". Previnam-se de um tal candidato a presidente da República! Com um pouquinho mais de recuo, chegaríamos ao gonçalvismo, a fonte genuína (ou já nem tanto) dos males pós-revolucionários; do gonçalvismo à longa noite; desta, aos últimos anos caóticos da República; da República, à degenerada Casa de Bragança e assim sucessivamente, até às origens, remontando a Adão e Eva, que nos precipitaram, sem dúvida, do Paraíso e nos mergulharam no eterno presente português de "apagada e vil tristeza". Artur Costa escreve no JN, semanalmente, às quintas-feiras Um erro imperdoável em tempo de criseOGoverno tem tido, nestes seus primeiros meses de vida, um comportamento em que, mesmo sectores que não lhe são afectos, têm reconhecido o mérito da contenção e da coragem política. A evidência de que a queda desgovernada da economia tem de ser rapidamente travada amorteceu, por outro lado, as reacções às medidas impopulares com que começou a ser enfrentado esse problema. Pode-se, assim, dizer que o Executivo de José Sócrates tem beneficiado de condições particularmente vantajosas para, sem grandes perturbações, governar com a firmeza que a maioria parlamentar socialista lhe confere. Há, no entanto, erros que podem comprometer esse relativo estado de graça, e o Governo já cometeu alguns.O mais grave desses erros foi, sem dúvida, a "reforma" de alguns dos seus políticos profissionais actualmente sem ocupação condigna, nomeando-os para cargos principescamente remunerados na administração de empresas com participação estatal.Com esta versão sénior da tradicional dança dos "jobs for the boys", pode o Governo perder a autoridade moral para, sozinho ou com o apoio do presidente, apelar ao patriotismo, ao rigor e à contenção. Estas são, de facto, condições para se ultrapassar a crise. Mas não é apenas com boas palavras que se conseguirá o esforço solidário dos portugueses para vencer essa luta. É, sobretudo, evitando os maus exemplos. Rui Camacho in «JN»

Quarta-feira, Junho 01, 2005

E que tal?

Dia mundial da criança por nascer

O CDS-PP propôs esta quarta-feira a criação de um «dia mundial da criança por nascer». O partido de direita pretende sensibilizar os portugueses para a necessidade de o Estado dar protecção legal à «vida humana e intra-uterina».
«Em pleno século XXI não se pode aceitar que a eliminação da vida de seres humanos ainda não nascidos seja encarada como escolha válida e admissível», disse o porta-voz do partido, Paulo Núncio, em conferência de imprensa.
A proposta foi feita no mesmo dia em que se celebra o Dia Mundial da Criança. Perante a redução de nascimentos nos últimos anos, Paulo Núncio defendeu que «o regresso do crescimento demográfico deve ser assumido como uma prioridade nacional».
O porta-voz do CDS-PP defendeu ainda a adopção de medidas «de apoio de natureza psico-pedagógica, social e económica» e de «formação e acompanhamento parental» no âmbito da protecção das crianças em risco.

Segunda-feira, Maio 30, 2005

Pensem nisto

‘Carta aberta aos pais portugueses’

WILLIAM Coulson é investigador em Etnopsicologia. Durante 17 anos foi consultor para as questões das Dimensões Humanas do Programa de Educação Médica da Universidade de Georgetown, nos EUA. Com doutoramentos em Filosofia e em Aconselhamento Psicológico, Coulson foi investigador associado de Carl Rogers. Em conjunto escreveram 17 volumes sobre psicologia e educação humanística. Neste artigo, Coulson conta que as suas teorias e de Rogers ganharam adeptos entre os técnicos de educação da SIECUS, um grupo que desenvolve os currículos de educação sexual enviados às delegações nacionais da IPPF (órgão internacional que reúne as associações de planeamento para a família). Coulson dedica hoje o seu tempo a falar a católicos e protestantes sobre os efeitos nefastos das suas teorias. Esteve em Portugal em Novembro, a alertar para os materiais de educação sexual portugueses que diz serem baseados nas filosofias que agora rejeita.
O MEU nome é William Coulson. Doutorei-me em Psicologia e Filosofia e, nos anos 60 e 70, fui colaborador muito próximo de Carl Rogers, o psicólogo americano de fama mundial. É conhecido que nós os dois coordenámos a edição de uma série de 17 livros promovendo uma nova técnica da psicologia chamada «Clarificação de Valores». O nosso objectivo era aumentar o bem-estar e a auto-estima das crianças, mas o que realmente aconteceu foi algo completamente diferente. A dada altura, desenvolvemos um currículo de educação sexual baseado nos jogos de clarificação de valores, o que incluía actividades em que as crianças eram convidadas a falar abertamente sobre sentimentos e desejos de natureza sexual.
Experimentámos esta nova técnica nas escolas dirigidas pela ordem do Imaculado Coração, na Califórnia. No início da experiência, a ordem tinha 58 escolas e 600 freiras. Em 2002, a BBC exibiu um documentário sobre a nossa experiência e o balanço que fazia era este: «O efeito da experiência foi um verdadeiro cataclismo. Em menos de um ano, 300 freiras - metade do convento - pediram ao Vaticano para serem dispensadas dos seus votos e, seis meses depois, o convento fechou as portas. Tudo o que restou foi um pequeno grupo de freiras… que se tornaram lésbicas radicais». Se o efeito sobre adultos é este, qualquer pessoa pode imaginar qual o efeito sobre crianças. Eu poderia dar-lhes muitos dados e contar-lhes muitas histórias. A título de exemplo, conto a história da Carolyn (não é o seu verdadeiro nome), uma aluna que no sexto ano seguiu um programa de clarificação de valores. Carolyn aprendeu a tomar decisões autónomas sobre todo o tipo de coisas, incluindo algumas matérias sobre as quais ela não devia sequer pensar e muito menos ter a possibilidade de experimentar. Tal como os outros alunos dos programas de clarificação de valores, ela aprendeu a fazer escolhas autónomas e sinceras no seu quadro próprio de valores. Como disse um dos seus colegas no funeral, Carolyn acabou por se convencer que só poderia estar segura de que as suas decisões eram autónomas caso fizesse aquilo que os adultos lhe diziam para não fazer. Acabou por achar que o maior prazer da vida era fazer o que as pessoas proíbem. Como resultado disso, num certo dia de Março, saiu da escola num intervalo com um colega e o seu tio passador de droga. Nas margens de um rio, tomou droga, foi violada e depois lançada ao rio. O corpo da criança encantadora e inteligente (ela era a chefe de turma) só apareceu três semanas depois.
Para nós, desde a experiência nas escolas das freiras, era evidente que a nossa técnica psicológica não era boa nem para as crianças nem para os adultos. Ficou claro que tínhamos desenvolvido um instrumento perigoso para a saúde dos jovens, que em vez de os enriquecer os destruía. Essa não era a nossa intenção, mas foi o que aconteceu. Infelizmente, as nossas teorias (ou uma versão delas, ainda mais extrema, promovida por Louis Raths) tornaram-se muito populares entre os técnicos de educação sexual da SIECUS, um grupo americano que desenvolve currículos de educação sexual que depois são espalhados pelo mundo inteiro pelas delegações nacionais de uma organização chamada IPPF.
Em 1983, num dos seus livros, Carl Rogers descreveu as nossas experiências como um «padrão de fracasso». Contudo, depois da sua morte, o editor (que publica livros para professores e alunos de ciências da educação) reeditou o livro removendo todas as referências ao «padrão de fracasso».
Parte deste padrão é o muro de silêncio que se constrói em torno dos seus resultados trágicos. Ainda assim, tanto hoje como então (embora não tão frequentemente quanto deveria), a realidade por vezes vem à tona. Em 1998, o «The New York Times» publicou um artigo intitulado «EUA acordam para uma epidemia de doenças sexuais». Nesse artigo, a dr.ª Judith Wasserheit, especialista em doenças sexualmente transmissíveis (DST) e ex-directora da Divisão de Prevenção de DST do US Center for Disease Control, disse ao «Times» que aquilo que se está a passar nos EUA é um «desastre nacional». Disse ainda que «a maioria dos americanos nem sequer tem consciência de que está perante uma epidemia».
Na realidade,, lentamente vai crescendo a consciência relativamente a esse facto. E talvez, bem mais cedo do que podem pensar, os portugueses descubram que algo de semelhante se está a passar com os seus filhos. Em Novembro de 2004, estive em Portugal a estudar os materiais de educação sexual enviados para as escolas em 2000. Fiquei aterrado. Talvez não haja em todo o mundo um currículo mais influenciado pelas ideias que eu e Carl Rogers testámos nos anos 60. Escrevo, pois, esta carta como um apelo. Eu sei o que vai acontecer às crianças de Portugal caso se apliquem nas escolas actividades baseadas nos jogos de clarificação de valores. Estou certo de que vocês gostam muito dos vossos filhos. Por isso (e se me é permitido falar com emoção): retirem das escolas esse modelo de educação sexual. Amanhã será tarde demais. Eu ajudei a criar o monstro. Por favor, ajudem-me a matá-lo.
Califórnia, 20 de Maio de 2005

Domingo, Maio 29, 2005

Vejam!

Assim o dinheiro não chega!

Centros de qualidade sem menores para cuidar internamento

Doze instituições acolhem adolescentes e jovens com problemas de delinquência Há menos de 300 menores internados, para cerca de 700 funcionários
A medida tutelar de internamento em centro educativo é a mais grave aplicável a jovens entre os 12 e os 16 anos que tenham praticado factos qualificados pela lei como crimes. O internamento está reservado aos casos em que não é adequada nem suficiente qualquer medida não institucional.Quanto à duração destas medidas, o legislador determinou que as mesmas não podem exceder o limite máximo da pena de prisão prevista para o crime correspondente.A legislação estabelece ainda que o regime aberto e semi-aberto tem a duração mínima de três meses e máxima de dois anos, enquanto em regime fechado o internamento não pode ser inferior a seis meses e superior aos mesmos dois anos. Para que seja aplicado o internamento em regime fechado, os jovens têm de ter idade superior a 14 anos.Por sua vez, estes regimes são fixados pelo Tribunal de Menores e distinguem-se pelo grau de limitação de liberdade e de autonomia dos menores, designadamente da sua relação com o meio exterior.Avaliações diáriasNestes centros, os adolescentes são sujeitos a avaliações diárias pelos profissionais da área escolar e pré-profissional através da sinalização por meio de cores em mapas ou grelhas de avaliação.A entrada nestas instituições é marcada ainda por diferentes fases. A primeira, de acolhimento, dura cerca de um mês e designa-se como fase regressiva. Tem como objectivo confrontar o jovem com a desadequação do seu comportamento. A seguinte designa-se fase de entrada e dura cerca de três meses. Tem como prioridade estabelecer regras de confiança com o jovem, obrigando-o a participar nas actividades do centro. Antes de abandonar a instituição, os menores passam pelas fases progressivas, nas quais vão ganhando regalias, desde que cumpram as regras e os objectivos traçados pelos educadores. T.L.Internamento visa jovens indiciados por crimeSão doze os centros educativos que acolhem menores com problemas de delinquência. Os dados oficias referem a existência de 301 adolescentes e jovens, entre os 12 e os 16 anos, abrangidos pela lei tutelar educativa, depois de terem sido indiciados pela prática de crimes. Este mês, porém, o Ministério da Justiça fez saber que três tinham saído das instituições. Neste momento, há, portanto, 700 funcionários a tomar conta de 298 jovens. Diminuíram os números da criminalidade juvenil, nos últimos anos, de forma a transformar as unidades sobrelotadas em instituições com défices de ocupação? Não, atestam as estatísticas, que continuam a revelar aumentos de focos de criminalidade praticados por jovens, a maioria provenientes do Porto e Lisboa.Os últimos dados disponíveis dão mesmo conta de que dos 298 jovens actualmente internados, 178 residiam em Lisboa. Cerca de 60%, sendo que a maioria tem entre 15 e 16 anos.Por sua vez, a maioria dos menores internados (204, já que 94 frequentam os centros mas não residem naqueles locais) encontram-se em regime semi-aberto. Ou seja, vivem nos centros, onde frequentam as actividades formativas e de tempos livres, mas estão autorizados a frequentar actividades no exterior, desde que acompanhados por funcionários do centro.Durante muitos anos os centros de educação viveram problemas de sobrelotação. A antiga tutória, no Porto (o actual colégio de Santo António) era um desses exemplos. Chegou a ter cerca de uma centena de menores. Os problemas avolumaram-se, devido ao excesso de jovens em risco, e muitas vezes a reintegração não aconteceu.A lei tutelar de menores, que entrou em vigor em 2000, serviu para regular o local para onde deviam ir os menores. Para os centros educativos, geridos pelo Instituto de Reinserção Social (IRS), do Ministério da Justiça, vão agora, apenas, os adolescentes ou jovens com problemas de delinquência criminal. Nas outras instutições, geridas pela Segurança Social, acumulam-se outros jovens, também em risco, mas ainda sem contas para ajustar com a justiça. O resultado, porém, está longe de ser o esperado "A ida de um menor para um desses centro é um processo moroso. Nós temos instrução para o evitar, a não ser que seja mesmo necessário. E quase todos os centros dizem que não podem receber menores, que estão lotados", disse um técnico do IRS ao JN, pedindo o anonimato.A verdade, no entanto, é outra. Dos 12 centros existentes no país (ver infografia) nenhum tem a lotação preenchida. E dos dois centros femininos que existem (Viseu e Peniche), ambos têm uma taxa de ocupação de menos de 50%. Um desses exemplos é o Centro de S. José, em Viseu. Tem capacidade para 14 menores internadas, mas acolhe apenas seis raparigas e duas delas em regime aberto. Por sua vez, o quadro de funcionários é esclarecedor. Ali trabalha uma directora, uma coordenadora, quatro técnicos da Reinserção Social, onze técnicos da Unidade Residencial, oito professores, dois formadores, três funcionários administrativos, três auxiliares de serviço, duas cozinheiras, uma roupeira e um fiel de armazém.
Tânia Laranjo in "Jornal de Notícias"

Sábado, Maio 28, 2005

Incrível

Criança morre esquecida no carro
Cristiana Vargas in D. N.
Uma criança de 19 meses foi encontrada morta quando se encontrava entregue aos cuidados da avó, após alegadamente ter ficado esquecida no interior de um automóvel estacionado à porta do Estabelecimento Prisional do Montijo (EPM), onde a familiar trabalha. A informação, confirmada ao DN por fonte policial, dá conta que quando o alarme foi dado já nada havia a fazer, tendo o menor chegado cadáver ao Hospital Distrital do Montijo (HDM), para onde foi transportado por guardas prisionais, cerca das 17 horas de quarta-feira."Os colegas de serviço ainda tentaram manobras de reanimação, mas constatou-se que não havia reactividade e limitámo-nos a confirmar o óbito", adiantou Fernanda Duarte, directora clínica do HDM, onde estava previsto que a autópsia se realizasse durante a tarde de ontem, "por peritos enviados pelo Ministério Público (MP)", segundo a mesma fonte.É que, explicou Fernanda Duarte, "como se tratou de um corpo que chegou sem o acompanhamento normal de bombeiros ou INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), essa situação anómala foi comunicada à polícia", que encaminhou a situação para o MP.A este cabe decidir se haverá lugar a investigação por parte Polícia Judiciária ou se avança de imediato com um processo-crime, que poderá ser por homicídio por negligência.Apesar dos resultados da autópsia ainda não serem conhecidos, neste tipo de casos a morte ocorre por asfixia resultante de edema (inchaço) da glote - zona média da laringe - ou/e desidratação.De acordo com o que foi possível apurar, a tragédia terá tido origem num mal-entendido sobre quem e quando outra pessoa iria buscar a criança, que acabaria por permanecer no interior do veículo durante o período mais quente da tarde.

Sexta-feira, Maio 27, 2005

Pasme-se!

Linhas de apoio à sexualidade dão 20% de respostas erradas
Estudo: Questões sobre pílula do dia seguinte e doenças sexualmente transmissíveis correntes são aquelas em que operadores menos sabem responder Apenas 40% das informações são certas

Ivete Carneiro in Jornal de Notícias

Ligar para uma linha telefónica de apoio à sexualidade em Portugal pode ser um autêntico jogo de azar depois de acertar num número que esteja efectivamente atribuído e no seu horário de funcionamento, tem-se 39% de hipóteses de não ficar esclarecido e, pior ainda, de ser incorrectamente informado em 20% dos casos. Erros que podem estar na origem de gravidezes indesejadas - e consequentes recursos ao aborto clandestino - e de infecções por VIH não despistadas e, portanto, transmissíveis.

O estudo "Apoio Sexual em Linha" - da autoria de Ana Catarina Castro, Bárbara Campos, Filipa Vieira e Joana Almeida, da Faculdade de Medicina de Lisboa - procurou averiguar a qualidade do atendimento e da informação transmitidas pelas linhas telefónicas na área da sexualidade. Uma investigação que abordou temas da contracepção, de emergência ou não, às doenças sexualmente transmissíveis e incluiu a realização de perto de duas centenas de chamadas.

A primeira questão que se levanta é a do caos fazendo uma busca na Internet e nas listas telefónicas, contam-se 27 linhas dedicadas à sexualidade. Segue-se a constatação de que seis dos números não estão atribuídos. E que em dois dos 21 restantes ninguém atende. Coloca-se depois o problema do horário de atendimento. "Os dias com maior número de linhas são a quarta e a sexta-feira", sendo que ao sábado apenas funcionam quatro e ao domingo duas, uma delas exclusivamente mecânica e "incapaz de responder" às questões colocadas pelas autoras do estudo. A mesma que, aliás, fica sozinha a funcionar em período nocturno.

Horários incompletos

"Não será aos fins-de-semana que surgirão mais dúvidas, necessidades de informação e de apoio? Não será de noite que as situações de dúvida e de angústia relacionadas com a sexualidade surgem?", questionam as autoras do estudo, apontando para o facto de o domingo ser mais provavelmente o "day after", precisamente um dia em que "é muito difícil chegar a um médico".

Duarte Vilar, director da Associação Portuguesa de Planeamento Familiar (APF, responsável pela linha de apoio "Sexualidade em Linha", em conjunto com o Instituto da Juventude) rebate esta dúvida. "A nossa experiência diz-nos que o fim-de-semana não é a pior altura. Há uma diminuição muito grande das chamadas, até pelo facto de os adolescentes estarem em casa com as famílias. E há muita probabilidade de só reagirem à segunda-feira", esclarece o sociólogo, garantindo que, se se verificasse o contrário, haveria certamente atendimento disponível ao domingo.

Mas mais importante do que o horário é a validade científica das respostas obtidas. E se as dúvidas relativas à temática da sida são as que parecem ficar melhor esclarecidas, as que dizem respeito à gravidez indesejada recebem respostas que deixam muito a desejar (ver gráfico). Em 39 chamadas com uma dúvida quanto à pílula do dia seguinte, só 12 foram correctamente encaminhadas com resposta certa e direccionamento para consulta médica e/ou de planeamento familiar. Nove receberam respostas erradas, dez ouviram o interlocutor admitir que não sabia responder e oito nem chegaram a ser atendidas. Quando a pergunta versou sobre uma doença sexualmente transmissível corrente como a tricomoníase, apenas um quinto das respostas foram correctas.

Mário Cordeiro, pediatra e docente de Saúde Pública coordenador deste estudo, realça o facto de não se ter pretendido fazer uma análise comparativa das linhas existentes e admite a mais-valia deste tipo de serviço. O problema é que "o utente normal não sabe qual é a linha da APF ou de outra entidade credível. E a probabilidade de não ser esclarecido correctamente é de 60%". O facto de parte destes casos serem reencaminhados para outras linhas ou aconselhamento médico diminui efeitos nefastos, o que leva o docente a sugerir que se continue a telefonar e a tentar sempre uma segunda opinião. "Se as pessoas deixassem de telefonar, o risco de fazerem asneiras seria enorme".

Quem liga acredita que fala com técnicos especializados

A inibição própria do tema sexualidade é a grande justificação para a existência de linhas de apoio. "Podem contribuir muito positivamente para que as pessoas minimizem as ansiedades", explica o sexólogo Francisco Allen Gomes. Já para Duarte Vilar, da APF, estas linhas são também fundamentais por serem um meio de "acesso rápido e fácil a respostas a questões concretas", embora não se devam substituir a outras fontes de informação. Elisabete Ferreira, psicóloga e docente de Educação Sexual, soma-lhe a "aflição" com que normalmente se recorre a estes serviços, nos quais o adolescente vai acreditar "como num médico ou num enfermeiro". Daí a importância da qualidade das respostas. Porque o jovem "vai desligar o telefone pensando que falou com uma pessoa especializada". Duarte Vilar garante a formação específica e continuada de todos os técnicos do número de apoio (Sexualidade em Linha) de que a sua associação é responsável, mas admite que "há serviços cujos técnicos não têm preparação", até por questões ideológicas. Surge então a questão dos critérios para a abertura de uma linha. "Não há", diz Mário Cordeiro, que já fez parte da Direcção-Geral da Saúde. Como não há quem coordene as que existem, nem nada que impeça quem quer que seja de criar uma. "Por que não definir um número único, que depois direccionasse as chamadas para um atendimento especializado", sugere o médico.